Empresas brasileiras que sofreram impactos com o aumento das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos poderão contar com uma nova rodada de apoio financeiro. A terceira edição do Plano Brasil Soberano foi aprovada nesta quinta-feira (5) pela comissão mista do Congresso Nacional responsável pela análise da proposta.
A iniciativa prevê a disponibilização de até R$ 13,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados, destinadas a auxiliar exportadores brasileiros a enfrentar as dificuldades provocadas pelas barreiras comerciais norte-americanas.
Os recursos serão provenientes do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
De acordo com a senadora Leany Lemos (PSB-DF), relatora da Medida Provisória 1.379/2026, as duas primeiras edições do programa já atenderam mais de 1.700 operações. A nova etapa amplia o volume de recursos e também o número de setores que poderão ser beneficiados.
CRÉDITO PODERÁ SER UTILIZADO EM INVESTIMENTOS E CAPITAL DE GIRO
As empresas contempladas poderão utilizar os financiamentos para manter suas atividades, adquirir máquinas e equipamentos, investir na produção, desenvolver novas tecnologias e adaptar produtos e processos às exigências de outros mercados.
O programa também prevê apoio para empresas que pretendem ampliar sua presença no comércio internacional, com recursos destinados à abertura de novos mercados e à prospecção de clientes no exterior.
Além dos exportadores diretamente prejudicados pelo tarifaço dos Estados Unidos, a terceira edição passa a contemplar empresas afetadas por conflitos internacionais e atividades consideradas estratégicas para a economia brasileira.
Entre os setores incluídos estão agricultura, pecuária, pesca, aquicultura, indústria química e farmacêutica, setor têxtil, máquinas e equipamentos, indústria automotiva, fertilizantes e minerais críticos.
SÃO PAULO LIDERA EXPORTAÇÕES PARA OS ESTADOS UNIDOS
Dados de 2024 do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que São Paulo ocupa a primeira posição entre os estados brasileiros que mais exportaram produtos para os Estados Unidos.
O estado registrou US$ 13,572 bilhões em exportações para o mercado norte-americano. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com US$ 7,413 bilhões; Minas Gerais, com US$ 4,622 bilhões; Espírito Santo, com US$ 3,068 bilhões; e Rio Grande do Sul, com US$ 1,847 bilhão.
Entre os segmentos econômicos com maior exposição às tarifas estão fabricantes de máquinas e equipamentos mecânicos, produtores de café, indústria madeireira, equipamentos elétricos e setor de carnes.
MEDIDA AINDA PRECISA PASSAR PELO CONGRESSO
Apesar da aprovação na comissão mista, a proposta ainda precisa ser votada nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
O prazo para a análise é até 18 de novembro. A votação dentro desse período é necessária para evitar que a medida provisória perca a validade.
A expectativa é que a ampliação do Plano Brasil Soberano ajude empresas brasileiras a enfrentar as dificuldades no comércio exterior, preservar atividades produtivas e buscar alternativas para manter sua competitividade no mercado internacional.
Fonte: Agência Câmara de Notícias. Dados de exportações: MDIC (2024).