Jenifer Carvalho Paes teria vivido sob controle e agressões durante o relacionamento; investigação apontou evidências que contrariaram a versão apresentada pelo namorado.
A história de Jenifer Carvalho Paes, de 19 anos, terminou de forma trágica em 28 de agosto de 2023, na Rocinha, Zona Sul do Rio de Janeiro. A jovem, que sonhava em construir uma família, foi encontrada morta com um tiro no peito. O caso passou a ser investigado como feminicídio, após a coleta de provas que colocaram em dúvida a versão apresentada pelo namorado.
Natural de Irajá, na Zona Norte da capital fluminense, Jenifer conheceu Gabriel de Oliveira Leal, então com 22 anos, no Morro do Juramento. Segundo relatos de familiares, o relacionamento, que durou cerca de dez meses, teria sido marcado por ciúmes excessivos, controle e episódios de agressão.
Durante o namoro, a jovem tentou terminar a relação, mas acabou indo morar com Gabriel em uma residência na Rocinha, longe de seus familiares. Conforme os relatos da família, ela passou a viver em condições de isolamento, com liberdade restrita e dificuldades para ter acesso a alimentos e itens básicos.
Pedido de socorro antes da tragédia
Cerca de duas semanas antes de morrer, Jenifer telefonou para o pai, Rodrigo Carvalho Teixeira, relatando que havia sido agredida. Na conversa, pediu dinheiro para comprar comida e tentar deixar o local. Ela também enviou uma fotografia que mostrava ferimentos na cabeça.
O pedido de ajuda, porém, não foi suficiente para impedir o desfecho trágico.
No dia da morte, a mãe da jovem recebeu uma ligação de Gabriel informando que a filha estava morta. Ao chegarem à residência, familiares encontraram Jenifer sem vida sobre a cama, com um ferimento provocado por disparo de arma de fogo no peito.
De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, o namorado alegou inicialmente que a morte teria sido resultado de suicídio e negou ter cometido o crime.
Perícia levantou dúvidas sobre a versão apresentada
A investigação reuniu elementos periciais que contrariaram a versão apresentada pelo suspeito. O laudo indicou que o disparo ocorreu a curta distância e identificou vestígios de pele sob as unhas de Jenifer, apontando para a possibilidade de luta corporal.
Os exames também identificaram resíduos de pólvora na jovem, considerados incompatíveis com a narrativa apresentada por Gabriel, conforme as informações divulgadas sobre a investigação.
Em 23 de setembro de 2023, a Justiça decretou a prisão do suspeito. Ele foi indiciado por feminicídio com agravantes, fraude processual, violência psicológica e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
O caso de Jenifer evidencia os riscos enfrentados por mulheres submetidas a relacionamentos abusivos, especialmente quando o controle e o isolamento dificultam o contato com familiares e o acesso à ajuda.
A violência contra a mulher pode começar com controle, ameaças e isolamento. Pedir ajuda e denunciar são passos importantes para interromper esse ciclo.