Uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF) aponta indícios de que o Banco Master teria adotado um esquema de concessão de empréstimos a empresas que, na prática, não quitavam as parcelas devidas, gerando receitas apenas de forma contábil, sem lastro financeiro real.
Segundo os investigadores, os recursos oriundos dessas operações de crédito eram rapidamente transferidos para fundos administrados pela gestora Reag, que apresentavam uma rentabilidade considerada irreal e incompatível com o mercado. Posteriormente, o dinheiro retornava ao próprio Banco Master por meio de aplicações financeiras, criando um ciclo que levantou suspeitas das autoridades.
Esse fluxo financeiro entrou no radar dos órgãos de controle e resultou na deflagração de uma operação da Polícia Federal, que apura possíveis crimes de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
De acordo com documentos constantes no inquérito, os contratos de empréstimo apresentavam prazos de carência prorrogados sucessivamente, muitas vezes às vésperas do início previsto para o pagamento das parcelas. “Na prática, não houve efetivo pagamento de juros nem amortizações”, destaca um dos trechos da investigação.
Como parte das apurações, a área de supervisão do Banco Central (BC) solicitou ao Banco Master, em julho de 2024, a comprovação de que um dos fundos que recebeu os recursos possuía saldo suficiente para atender eventuais pedidos de resgate. Além disso, os técnicos exigiram a apresentação de controles internos capazes de demonstrar o acompanhamento da evolução dos projetos financiados e o monitoramento dos valores liberados em cada operação.
As investigações seguem em andamento, e as autoridades buscam esclarecer a extensão das irregularidades, identificar os responsáveis e apurar eventuais prejuízos ao sistema financeiro nacional.